O Ceará é cercado por formações de relevo relativamente altas:
chapadas e
cuestas: a oeste é delimitado pela
Serra da Ibiapaba; a leste, parcialmente; pela
Chapada do Apodi; ao sul pela
Chapada do Araripe; e ao Norte pelo
Oceano Atlântico. Daí o nome de Depressão Sertaneja à área central.
[66]
O estado está no domínio da
caatinga, com período chuvoso restrito a cerca de quatro meses do ano e alta biodiversidade adaptada.
[67] A
sazonalidade característica desse bioma se reflete em uma
fauna e
flora adaptadas às condições
semi-áridas. Consequentemente, há grande número de espécies endêmicas,
[68] sobretudo nos brejos e serras, isolados pela caatinga e refúgios da flora e fauna de matas tropicais úmidas.
[69] Na Serra de Baturité, por exemplo, 10% das espécies de aves são endêmicas.
[70] O
soldadinho-do-araripe foi descoberto em
1996 na
Chapada do Araripe e só é encontrado nessa região. Dentre as aves, são ainda característicos o
uirapuru-laranja e a
jandaia. Destacam-se, na flora cearense, a
carnaúba, considerada um dos símbolos do estado e também importante fonte econômica e a
zephyranthes sylvestris,
[71] flor original do habitat cearense.
As regiões mais áridas se situam na Depressão Sertaneja, a oeste e sudeste. Próximo ao litoral, a influência dos ventos alísios propicia um clima subúmido, onde surge vegetação mais densa, com forte presença de
carnaubais, os quais caracterizam trechos de
mata dos cocais. O clima também se torna subúmido, com caatinga mais densa e maior pluviosidade, nas adjacências das chapadas e serras.
[72]
Vista panorâmica na cidade serrana de
Guaramiranga, no Maciço de Baturité.
Enquanto as chapadas e cuestas são de origem sedimentar, as
serras e os
inselbergs que abundam em meio à Depressão Sertaneja são de formação cristalina. Dentre os relevos sedimentares, apenas a Chapada do Araripe (com altitudes que vão de 700 m até mais de 900 m) e a Serra da Ibiapaba (com altitude média de 750 m) possuem altura suficiente para permitir a ocorrência freqüente de
chuvas orográficas, o que lhes confere maior pluviosidade. As pluviosidades, bem mais intensas do que na Depressão Sertaneja, variam de 1000 mm a mais de 2000 mm anuais.
[73]
A
carnaúba é a árvore símbolo do Ceará e ocupa grandes extensões no sertão.
Por outro lado, a altitude na
Chapada do Apodi não ultrapassa os 300 m, de modo que as características semi-áridas ainda predominam nela. Dentre as serras de origem cristalina, as que têm de 600m a 800m de altitude média (caso do
Maciço de Baturité, da
Serra da Meruoca e da
Serra de Uruburetama) também são favorecidas pelas chuvas orográficas, surgindo aí vegetação tropical densa, chuvas mais frequentes e maior umidade, em especial na sua vertente de
barlavento. Em
Catunda, na
Serra das Matas, encontra-se o ponto mais elevado do estado, o
Pico da Serra Branca, com 1.154 metros.
[74] Nas serras pouco elevadas, surge vegetação semelhante às das vertentes de sotavento das serras úmidas, isto é, uma vegetação similar à caatinga mas bastante mais densa e com distinções na fauna e flora, conhecida como
mata seca.
Existe ainda o carrasco,
vegetação xerófila peculiar, que surge no reverso da
Chapada da Ibiapaba e do
Araripe, áreas mais secas, caracterizando-se por uma flora arbustiva e arbórea predominantemente lenhosa, ao contrário da
caatinga. O carrasco distingue-se ainda da caatinga pela quase inexistência de cactos e
bromeliáceas. Alguns se referem a essa vegetação como uma espécie de transição entre o
cerrado, a
floresta tropical e a caatinga.
[75]
[editar] Hidrografia
-
O
Rio Jaguaribe, com 633 km de extensão, é o principal rio cearense.
O território cearense é dividido em sete
bacias hidrográficas sendo a maior delas a do
rio Jaguaribe. Sua bacia hidrográfica compreende mais de 50% do estado. O rio tem 610 km de extensão. Os dois maiores reservatórios de água do Ceará são barragens que represam o Jaguaribe:
Açude Orós e
Açude Castanhão com as respectivas capacidades de armazenamento 2,1 e 6,7 bilhões de metros cúbicos. Os afluentes mais importantes do rio Jaguaribe são os rios
Salgado e
Banabuiú.
[76]
As outras bacias são: do rio
Acaraú com um dos maiores reservatórios do estado, o
açude Araras com capacidade para um bilhão de metros cúbicos;
[77] do
rio Coreaú; do
rio Curu; do litoral, que drena boa parte do litoral norte oeste onde os principais rios são
Aracatiaçu,
Aracatimirim,
Mundaú e
Trairi; na região metropolitana onde os principais rios são
Ceará,
Cocó,
Pacoti e
Choró; e parte da bacia do
rio Parnaíba.
[78]
-
No
litoral, que se estende por 573 km, predominam os
mangues e
restingas, vegetação litorânea típica, além de áreas sem vegetação recobertas por dunas.
[79] Mesmo com altitudes muito pouco elevadas, as pluviosidades e a umidade são maiores que na Depressão Sertaneja. As temperaturas médias variam de 22 °C a 32 °C. A planície litorânea possui geografia diversificada, o que faz com que o estado possua praias com coqueirais,
dunas, barreiras (também chamadas falésias por muitos) - paredões sedimentares que acompanham a faixa da costa e, em alguns trechos, possuem tons coloridos - e áreas alagadas de manguezal, onde há grande biodiversidade.
As
praias mais famosas do Ceará são: a
Praia de Jericoacoara, a
Praia de Canoa Quebrada e a
Praia de Porto das Dunas, dentre outras, as quais se destacam por alcançar fama internacional. Regionalmente, outras praias destacadas são: a Praia das Fontes, Morro Branco, Icaraí, Presídio, Baleia, Flecheiras, Cumbuco e Lagoinha. O litoral cearense é atravessado por duas rodovias, a Costa do Sol Nascente e a Costa do Sol Poente, que, a partir de Fortaleza, direcionam-se para o litoral leste e oeste, respectivamente.
[80]
[editar] Proteção ao meio ambiente
No Ceará existem dois
parques nacionais. O
Parque Nacional de Ubajara criado em
30 de abril de
1959 e até recentemente era o menor parque em área, com 563 ha, passando a ter atualmente 6.299 ha. Abriga em seu interior a
Gruta de Ubajara e um bonde de acesso à gruta, sua maior atração. O segundo é o
Parque Nacional de Jericoacoara, criado em
2002 para preservar as praias e dunas da região, cujo principal atrativo é a
Pedra furada. Outras áreas de preservação ambiental importantes são as
florestas nacionais do
Araripe (a primeira Floresta Nacional do Brasil, estabelecida em 1946) e de
Sobral. Existe, ainda, a Área de Proteção Ambiental da Chapada do Araripe, com 10.000 km², que se estende por 38 municípios do Ceará,
Pernambuco e
Piauí.
[81]
O Governo do Ceará mantém 13
áreas de conservação. O
Parque Ecológico do Cocó e o
Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio são os únicos
parques estaduais do Ceará, sendo o Parque do Cocó o primeiro a ser criado, em 1989, dentro da área urbana de Fortaleza, abrigando o bioma de mangue. Em todo o Ceará existem 58
áreas de proteção ambiental sendo 20 estaduais, 11 federais, 13 municipais e 14 particulares.
[82]
Os ecossistemas do Estado estão profundamente danificados e muito pouco preservados.
[83] As regiões de
floresta tropical e
cerrado, nas serras e chapadas de elevada altitude, possuem grande concentração demográfica, intenso uso para fins agropecuários e, comparativamente, pouca preservação e fiscalização ambiental. Os crimes ambientais são praticados constantemente em áreas como a APA Araripe - sobretudo as queimadas e retirada de lenha - e não podem ser reprimidos devido ao parco efetivo de fiscais, dentre outros motivos.
[84] Atualmente a
mata atlântica ocupa apenas 1,2% do território do Estado, tendo sido bem mais extensa no passado, mas 44% do restante está em áreas de preservação, o que, porém, não tem garantido sua total conservação.
[85]
Em situação ainda mais grave está a extensa
caatinga cearense, que conta com uma ínfimos 0,45% de preservação, embora represente, em suas variadas formas, 92% do território estadual.
[86] 80% da caatinga cearense está devastada,
[87] e muitas das áreas restantes, apesar de aparentemente conservadas, não passam de formas vegetais secundárias menos ricas e alteradas pela substituição de espécies vegetais, o que acarreta graves prejuízos para o solo e os já escassos recursos hídricos. A
desertificação avança no Estado e atinge níveis preocupantes, sobretudo em
Irauçuba.
[88]
O clima é predominantemente
semi-árido, com pluviosidades que, em trechos da região dos Inhamuns, podem ser menor que 500 mm, mas também podem se aproximar de 1.000 mm em outras áreas caracterizadas pelo clima semi-árido brando (presente, por exemplo, na área semi-árida do
Cariri e nas cidades relativamente próximas à faixa litorânea). A temperatura média é alta, com pequena amplitude anual de aproximadamente 5 °C,
[90] girando entre meados de 20 °C no topo das serras a até 28 °C nos sertões mais quentes.
[91] No interior, a amplitude térmica diária pode ser relativamente grande devido à menor umidade.
[92]
Em todo o estado, os dias mais frios ocorrem geralmente em junho e julho e os mais quentes, entre outubro e fevereiro.
[73] Nas áreas serranas, onde impera o clima tropical semi-úmido e, em altitudes mais elevadas, úmido, as temperaturas são mais baixas, com média de 20 °C a 25 °C,
[73] podendo ter mínimas anuais entre 12 °C e 16 °C.
[91] Surgem aí vegetações de
cerradão e
floresta tropical, e as pluviosidades são mais altas, superando os 1.000 mm. Essas áreas contêm mananciais que banham os sopés dessas regiões, tornando-os propícios à atividade agrícola. É nas serras e próximo a elas, assim como nas planícies aluviais, que se concentra a maior parte da população do interior cearense, com densidades superiores a 100 hab./km², por exemplo, em boa parte do
Cariri cearense.
[93]
No litoral, o clima tropical subúmido possui pluviosidades normalmente entre 1.000mm e 1.500mm. As temperaturas são bastante elevadas, com médias de 26 °C a 28 °C, mas a amplitude térmica é bastante pequena.
[73] No geral, as temperaturas variam, durante o dia, de mínimas de 23 °C - 24 °C até máximas de 30º - 31 °C. É raro as temperaturas ultrapassarem os 35 °C na região litorânea, ao contrário do que ocorre no
Sertão cearense.
O clima do Ceará é marcado pela aridez. As secas são periódicas, e, desde que a ocupação territorial foi consolidada, a população tenta resolver o problema da escassez de água. A Seca de
1606 foi a primeira a marcar a história da ocupação do território. Outras secas importantes foram as registradas em
1777 e
1778, responsáveis pelo enfraquecimento da indústria das charqueadas, que teve seu golpe final no período de grandes secas entre
1790 e
1794.
[94]
Durante as décadas seguintes, até
1877, o Ceará viveu relativa tranquilidade, sem estiagem, até que naquele ano e nos dois seguintes uma grande seca prejudicou fortemente a agropecuária no estado.
[95] No início dessa, o senador
Tomás Pompeu de Sousa Brasil publicou o primeiro livro sobre esse problema climático, intitulado "O clima e secas no Ceará". Nessa época foi iniciada a construção do
Açude do Cedro, em
Quixadá, como medida para minimizar a falta de água, mas a obra só foi finalizada na
Primeira República.
No começo do século XX foi criada a "Inspetoria de Obras Contra as Secas" que mais tarde passaria a ser o
Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, com sede em Fortaleza para realizar estudos, planejamentos e obras contra as estiagens, em
1909.
[96] Várias barragens foram construídas em todos os estados do Nordeste. Na década de
1930, foi criado o
Polígono das secas: quase a totalidade do território cearense está inserido nele.
Atualmente existem muitos órgãos do governo cearense voltados para a problemática do clima. A
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos juntamente com a
Superintendência de Obras Hidráulicas são os órgãos que fazem a gerência de várias barragens e o planejamento de adutoras e canais. A
Fundação Cearense de Meteorologia é a responsável pelo monitoramento climático. Finalmente o órgão central é a
Secretaria dos Recursos Hídricos que faz toda a estruturação de metas e planos para combater a seca no Ceará.
[97]
[editar] Demografia
| Histórico populacional |
| Censos | Pop. |
| 1970 | 4.361.603 |
| 1980 | 5.288.429 |
| 1991 | 6.336.647 |
| 2000 | 7.431.597 |
| 2005 | 8.106.635 |
| 2008* | 8.450.527 |
| 2009* | 8.547.809 |
| (*) Estimativa |
Segundo estimativas do IBGE (2008), a população cearense é de aproximadamente 8.450.527 habitantes, o que confere ao estado uma densidade de 56,78 hab./km².
[2] Há forte concentração populacional na
microrregião de Fortaleza (que inclui municípios da Região Metropolitana de Fortaleza), com 3.255.701 habitantes; na
do Cariri, com 519.055 habitantes; e na
de Pacajus, com 98.390 habitantes. Somadas, possuem 7.875,767 km² (5,3% do total) e 3.873.146 habitantes (46% do total) o que lhes confere uma densidade populacional de 491,78 hab./km².
[2]
As cidades mais povoadas do Estado estão nessas regiões: Fortaleza (8.001,4 hab./km²), Maracanaú (1.908,2), Juazeiro do Norte (1.005,1) e
Pacatuba (542,5), respectivamente.
[98] Entre 1998 e 2008, persistiu a concentração da população na
Região Metropolitana de Fortaleza, que cresce a ritmo mais acelerado que a média estadual (1,75% contra 1,25%, respectivamente).
[99]
A
transição demográfica tem ocorrido rapidamente no estado: a taxa de natalidade, que nos anos 1970 era bastante alta, caiu para 17,96‰ em 2008, e a taxa de mortalidade nesse ano estava em 6,41‰. A taxa de fecundidade em 2009 foi de 2,15 filhos por mulher, ligeiramente acima da taxa de reposição da população, o que representou um aumento em relação a 2008, fazendo o Ceará apresentar uma taxa superior à média nordestina.
[4] A taxa de
crescimento demográfico caiu de uma média de 2,6% na década de 1950 para 1,73% durante os anos 1990. Com a transição demográfica em curso, a proporção de idosos no conjunto da população aumentou de 2,4% em 1950 para 6,72% em 2004, e já em 2009 10,5% dos cearenses possuíam 60 anos ou mais.
[4] Em sentido contrário, os jovens de 0-14 anos passaram de 45,7% em
1950 para 28,9% em
2006.
[100]
A taxa de urbanização, que em
1940 era de 22,7%, foi estimada em
2006 em 76,4%, tendo se acelerado muitíssimo nas últimas décadas (só em
1980 a população urbana passou a ser majoritária, com 53,1%).
[100]
A
religião é muito importante para a maior parte da população cearense. O estado é o terceiro mais católico do País, em termos proporcionais, com 86,7% da população seguindo o
catolicismo. Em seguida, vêm os
protestantes, somando 9,01%; os que não possuem nenhuma religião, com apenas 2,82%; e os fiéis de outras religiões, com 1,34%.
[101]
Quixadá é uma das principais cidades do interior semi-árido do Ceará.
A
expectativa de vida do cearense foi de 71,0 anos em 2009, com uma das maiores diferenças do País entre os homens (66,8 anos, 0,1 ano a menos que a média nordestina) e as mulheres (75,4 anos, 1,3 ano a mais que a média nordestina). O valor atual representa uma melhora de 5,3% em relação à de 1999 (67,4 anos). Assim, o estado acompanhou e até superou o aumento geral da esperança de vida do brasileiro, que foi de 4,4% (passando de 70,0 para 73,1 anos no mesmo período). Ainda assim, está muito inferior à maior expectativa de vida do País, que é a do
Distrito Federal (75,8 anos).
[4]
O Ceará foi o estado que mais diminuiu a
mortalidade infantil de 1980 a 2006, atingindo 30,8 por mil a partir da altíssima taxa de 111,5 por mil de 1980. Houve, portanto, uma redução de 72,4%. Ainda assim, o Ceará em 2008 estava acima da taxa de mortalidade nacional de 24,9 por mil. Por outro lado, dentre os estados nordestinos, só perde para o
Piauí (29,3 mortes por mil nascimentos). Seu desenvolvimento humano, contudo, ainda é muito incipiente, embora tenha gradualmente avançado: de um IDH de 0,604 em 1991, passou a 0,723 em 2005. O componente do IDH que mais avançou foi o da Educação, que passou de 0,604 para 0,808 no mesmo período, sobretudo devido ao grande aumento da matrícula de jovens.
[102]
Em 2008, o Ceará atingira índices sociais mais altos que a média do Nordeste em diversos aspectos, como a expectativa de vida, escolaridade média e
analfabetismo funcional, e apresentava tendência à diminuição de sua disparidade com relação à média do Brasil, superando já o índice nacional no tocante ao desemprego, ao
índice de Gini e à razão entre os 10% mais ricos e os 50% mais pobres da população, denotando uma desigualdade de renda que, outrora maior que a brasileira, tornou-se ligeiramente menor a partir de 2006.
[99]
A
criminalidade é um problema crescente no estado. A taxa de
homicídio foi de 23,2 por 100 mil habitantes em 2007, um expressivo aumento de 57,4% comparado à taxa de 14,8 por 100 mil em 1997. Com esse índice, o estado ocupa a 17ª posição no
ranking nacional, acima da 22ª posição que tinha em 1994, mas se mantém abaixo da média brasileira. Por sua vez, Fortaleza subiu da 17ª para a 10ª posição entre as capitais com maior índice de assassinatos, porém continua abaixo da média das capitais do
Nordeste. A escalada de violência se iniciou sobretudo após 1999.
[103] O Ceará possui 7 de seus 184 municípios entre os 500 com maiores taxas de homicídio do Brasil.
[104]
Mapa indicando a presença indígena contemporânea no Ceará.
Em 2008, a distribuição da população cearense por cor era a seguinte: 33,05% se autodeclaravam brancos, acima dos 30,02% verificados na contagem de 1998; 3,03% se diziam negros, muito acima dos 1,22% em 1998; e a proporção de pardos diminuiu, contabilizando 63,39% a partir dos 68,69% de 1998. Proporcionalmente, o Ceará possui mais brancos e menos negros que a média nordestina, porém a proporção de pessoas que se autodeclaram negras tem aumentado bastante.
[99]
Devido às características econômicas que sempre predominaram no Ceará (a pecuária, atividade bastante móvel, e a
cotonicultura) e aos aspectos naturais da terra (como o regime periódico de secas, que gerava graves situações de escassez de alimentos em várias áreas sertanejas), a
escravidão africana não vicejou no Estado. Dessa forma, a população negra cearense sempre foi relativamente pequena. Vários negros, contudo, migraram para o Ceará como homens livres, aí fincando raízes.
[107] Estudos indicam que a maior parte dos negros cearenses tinham origem em povos
bantus e do
Benin.
[108]
Em 1864, havia apenas 36 mil cearenses escravos, número que, em 1887, reduzira-se para apenas 108 (observe-se que, em 1872, a população total estava em 721.686 habitantes
[109]). Em 1813, os escravos representavam 11,5% dos cearenses, dos quais 63% eram negros.
[110] Comparando-se com estados escravistas próximos, constata-se quão desimportante era a escravidão na sociedade do Ceará: em 1864,
Pernambuco tinha 260 mil escravos, permanecendo ainda com 41.122 em 1887; e a
Bahia, 300 mil escravos em 1864 e 76.838 escravos restantes em 1887.
[111]
A constituição étnica do povo cearense remonta há muitos séculos. O censo de 1813 mostra uma configuração já tendente à atual, com predominância de pardos: 28% de brancos, 6% de indígenas, 16% de negros e 50% de pardos.
[110] Assim, predominam os mestiços, descendentes, em sua maior parte, de brancos e índios,
mulatos e
caboclos que viviam como vaqueiros, moradores de fazendas, pescadores, dentre outros. Os brancos, em sua grande maioria, descendem de portugueses, com pequena contribuição de holandeses, espanhóis, sírio-libaneses (estimam-se 5 mil descendentes no Estado
[112]) e outros, mas grande parcela dos brancos também possui ancestralidade multiétnica como em todo o Brasil.
Segundo dados do estudo
Frequência de Antígenos HLA em uma Amostra da População Cearense, realizado pelo professor Henry Campos, titular da disciplina de Medicina Clinica da Faculdade de Medicina da
Universidade Federal do Ceará, revelou que
há um predomínio nítido de um antígeno no grupo de cearenses, que não é o mesmo presente nas populações de negros e portugueses.
[114] Comparado esse estudo com outros semelhantes realizados em
Pernambuco e
Bahia, confirma-se que a predominância indígena no Ceará é relevante.
O Ceará tem, atualmente, quinze etnias indígenas nativas reconhecidas. A população estimada dessas etnias é de 22.500 índios, de acordo com dados do Distrito Sanitário Especial Indígena do Ceará (
FUNASA). No Ceará muitas pessoas desconhecem a existência dos índios, pois políticas oficiais, durante muito tempo, obrigaram os indígenas a esconderam sua identidade. Um decreto da Assembléia Provincial do Ceará, datado de 1863, declarou que não havia índios na província.
[115] Então eles passaram a ser desacreditados, perseguidos e tiveram suas terras invadidas. Somente na década de 1980, os índios cearenses começaram a reivindicar seus direitos de posse de terra e o reconhecimento de suas etnias.
Vegetação
A cobertura vegetal do Estado do Ceará, a flora, compõe-se predominantemente das seguintes formações:
Caatinga: do tupi, mata branca, espalha-se por todo o espaço ocupando cerca de 70% de sua área. Suas características são de porte arbustivos, troncos retorcidos, folhas pequenas e caducifólias, xerófila (adaptada à escassez d'água) e raízes profundas
A caatinga hipoxerófila, que tem maior porte e densidade, aparece nas faixas de menos rigor climático, tais como a baixada litorânea e o sopé da Ibiapaba.
A caatinga hiperxerófila é a vegetação das regiões mais áridas, apresentando-se mais baixas e rala, bem como com maior quantidade de espécies espinhosas;
Tem como algumas de suas espécies: algaroba, mulungu, aroeira, marmeleiro, juazeiro, pau-branco, sabiá e predeiro. As espécies cactáceas são: xique-xique, palma, facheiro e mandacaru. Seu desequilíbrio está nas queimadas e desmatamentos (retirante de lenha).
Formações Florestais: em meio a aridez predominante, destacam-se as manchas verdes das florestas que cobrem as serras e os vales úmidos;
Vegetação de dunas, mangues e tabuleiros: ocupam espaços pouco representativos na área total do Estado. São predominantemente litorâneos.
- A vegetação de dunas são caracterizadas pelo predominância de coqueiros nas praias e pelas espécies como murici, salsa-de-praia, capim-da-praia, grama-da-areia, etc.
- Os tabuleiros são planaltos pouco elevados, arenosos e de vegetação rala.
- A vegetação de mangue é encontrada em áreas sob influência das marés, tendo como características porte arbóreo/arbustivo, pobre em variedade (mangue preto, mangue branco e mangue vermelho), higráfila (adaptada à umidade) , halófita (adaptada a salinidade) e raízes suspensas. Sua importância está na manutenção do clima, evita o alagamento das áreas adjacentes, alimentação e reprodução da fauna marinha, pesca de peixe, caranguejo, camarão, e matérias-primas como madeira (construção de moradias, produção de carvão artesanato) e cipós (artesanato). As espécie animais encontradas são: garças, galinha d'água, martim-pescador, beija-flor, lavandeira, gaivotas, etc. Seus desequilíbrios estão na especulação imobiliária, desmatamentos, queimadas e despejos de esgotos e lixo;
Vegetação ciliar ou mata de galeria: ocorre como ocorrência dispersa em todo o Estado, ocupando os vales úmidos dos rios e riachos, formando densos povoamentos, nos quais a carnaúba, a oiticica, o juazeiro e o mulungu são espécies dominantes.
Clima
Salvo pequeno trecho da costa, nas vizinhanças de Fortaleza, que recebe de 1.000 a 1.500mm de chuvas anuais, prevalece na maior parte do território o clima semi-árido, do tipo Bsh de Köppen. A pluviosidade reduzida (menos de 1.000mm anuais e, em alguns locais, menos de 600mm) está sujeita a um regime irregular. Em determinados anos, a estação chuvosa não se produz, desencadeando o fenômeno da seca. Essas condições são ainda agravadas pelo forte calor, de que resulta um elevado índice de evaporação, que muito reduz a disponibilidade de água no solo. Só escapam a esse quadro serras e chapadas, pelas chuvas de relevo que determinam.